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16May ARROZ - Preços firmes em maio com a balança comercial positiva

ARROZ - Preços firmes em maio com a balança comercial positiva

Colheita chega à reta final no RS com preços mais altos que a média                                                                                   Foto: Robispierre Giuliani/Planeta Arroz

O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul mantém-se com preços firmes ao final de 14 dias do mês de maio, ainda que na semana corrente as indústrias tenham demonstrado menor interesse frente a uma oferta ligeiramente maior dos produtores. Nesta quarta-feira, 14 de maio, o indicador de preço à vista da saca de 50 quilos de arroz em casca (58x10) Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa, colocado na indústria, fechou em R$ 36,16, o equivalente a US$ 16,38. A cotação está dentro da média da semana, e representa uma valorização de 0,67% em maio, o que indica uma desaceleração na alta dos preços do cereal na medida em que a safra gaúcha chega ao seu final. Restam menos de 3% da área para serem colhidos.

Os fatores destes preços mais altos seguem sendo os mesmos: estoque nacional mais baixo (especialmente o público), boa expectativa de exportação, equilíbrio entre oferta e demanda, integração da soja ao sistema de produção em terras baixas no Rio Grande do Sul gerando nova fonte de renda no portfólio das propriedades, espaço nos armazéns para estocagem e amadurecimento comercial dos lavoureiros. A comercialização será um dos temas debatidos na Feira Nacional do Arroz, que acontece a partir da próxima terça-feira, 20 de maio, em Cachoeira do Sul (RS), quando a cadeia produtiva nacional se reunirá para discutir mercado e tecnologias.

Na última semana o setor orizícola recebeu boas e más notícias. As boas notícias ficaram por conta do bom desempenho das exportações de arroz. Segundo divulgado pela Agrotendências Consultoria em Agronegócios, com base no relatório mensal da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a balança comercial brasileira do grão fechou o segundo mês do ano comercial (abril/2014) com um superávit de 128,4 mil toneladas.

De acordo com a Secex, foram exportadas 129,5 mil toneladas (base casca) e importadas 83,8 mil toneladas em abril, garantindo, nos dois primeiros meses do ano comercial, um superávit de 128,4 mil toneladas. “É preciso alertar, porém, que o volume exportado foi 3,1% menor do que em março, enquanto a importação apresentou um crescimento de 65%, em nítido movimento de reação à valorização do cereal no mercado doméstico”, avisa o analista Tiago Sarmento Barata.

Neste mês, o destaque das exportações foi o escoamento de 36,3 mil toneladas (base casca) de arroz beneficiado para Cuba. Nos dois primeiros meses foram escoadas 263,1 mil toneladas, sendo 76,7 mil toneladas para Cuba. Caso a média mensal de volume exportado até então obtida se mantenha ao longo do ano, a previsão é do escoamento de 1,58 milhão de toneladas.

IMPORTAÇÕES

Em relação às importações, a Agrotendências Consultoria em Agronegócios destaca que o ponto de maior importância em abril foi o ingresso de 29,5 mil toneladas (base casca) de arroz beneficiado tailandês. “Diante da valorização do cereal no mercado doméstico, a importação de produto de terceiros mercados começa a ser testada e ganha força como alternativa de abastecimento no Nordeste do país”, destaca Barata. Assim ocorreu entre novembro de 2012 e fevereiro de 2013, quando a cotação média superou US$ 17/sc, viabilizando a importação de 59 mil toneladas de arroz do Vietnã. Nos últimos dois meses, foram importadas 134,7 mil toneladas, sendo o Paraguai a origem de 54,3% deste volume. Priorizando o atendimento de outros mercados (como Iraque, Peru e Venezuela), Uruguai e Argentina perdem relevância como origens de produto importado e representam respectivamente 15% e 8% do total internalizado.

INTERNACIONAL

Em abril, os preços mundiais caíram novamente, devido à intensa atividade da Tailândia no mercado de exportação. As exportações tailandesas continuam progredindo, especialmente no Sudeste Asiático e no Oriente Médio. No Vietnã, os preços também recuaram, mas ainda estão acima dos preços tailandeses. Na Índia e Paquistão, os preços se mantêm firmes devido a preços internos mais elevados e a valorização da rúpia em relação ao dólar. Nos Estados Unidos e no Mercosul, os preços de exportação se mantêm estáveis.

A tendência de queda dos preços mundiais deve continuar, mas pode ser limitada se a estagnação da produção asiática este ano for confirmada, por causa do fenômeno climático El Niño. Em abril, o índice OSIRIZ/InfoArroz (IPO) caiu apenas 1,1 ponto para 204,4 pontos (base 100 = janeiro 2000) contra 205,5 pontos em março. No início de maio, o índice IPO continuava caindo, para 203 pontos, segundo o Informativo Mensal do Mercado Internacional do Arroz elaborado pelo economista Patrício Méndez del Villar, do Cirad, da França.

MUNDO

Segundo a FAO, a produção mundial em 2013 aumentou 1% para 745,4 milhões de toneladas (496,9 Mt base arroz beneficiado) contra 736,8 Mt de arroz em 2012. As colheitas no Hemisfério Sul serão melhores do que o esperado, especialmente no Brasil, Indonésia e Madagáscar. Por outro lado, a seca afetou a produção na Austrália, Peru e África Oriental. No Hemisfério Norte, a safra agrícola está apenas começando e as perspectivas indicam um possível aumento da produção na China, Índia, Filipinas e Estados Unidos.

No entanto, a produção mundial em 2014 poderia melhorar apenas 0,8% para 751,5Mt de arroz (501,1 Mt em arroz beneficiado) por causa dos baixos preços internacionais e do temor de um novo evento climático El Niño em certas regiões asiáticas. Na África Subsaariana, a produção de arroz 2013/2014 deve aumentar muito ligeiramente, devido a precipitações menores do que o normal, especialmente ao sul do Sahel.

Em 2013, o comércio mundial passou de 3% para 37,2 Mt contra 38,4 Mt em 2012. Esta queda deve-se à redução da demanda de importação dos principais importadores asiáticos e africanos, onde as colheitas melhoraram. Em 2014, as previsões têm aumentado, dada a estagnação da produção mundial devido às más condições climáticas no final de 2013 no Sudeste Asiático. O comércio mundial poderia, então, exceder 40Mt pela primeira vez. Os estoques globais de arroz no final de 2013 marcaram um novo recorde de 175Mt, melhorando em 8%. As projeções iniciais para 2014 indicam um novo aumento para 180Mt, apesar da estagnação da produção mundial. Os elevados estoques mundiais têm impedido uma queda nos preços mundiais, mas também contribuem em parte para evitar saltos brutais em caso de uma queda da produção global.

SAFRA BRASIL

Mesmo que o Irga venha alertando para uma queda importante na produtividade gaúcha nesta etapa final de colheita, projetando entre 8,1 e 8,2 milhões de toneladas a produção total do Estado, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) surpreendeu a todos projetando um aumento da produção no seu relatório de safra divulgado na última semana, baseado em um levantamento realizado em abril.

Divulgado na quinta-feira (08 de maio), o 8º Levantamento de Safra da Conab surpreendeu ao mercado e à cadeia produtiva ao aumentar a projeção de safra brasileira de arroz, que já era considerada superestimada. Com uma área plantada de 2.425,3 mil hectares (1,1% a mais do que em 2012/2013) e incremento de 5,7% na produtividade média (5.209 kg/ha), projeta-se uma produção de 12.632,2 mil toneladas, significando um aumento de 6,9% em relação ao volume produzido na última temporada.

No Rio Grande do Sul, a expectativa é de produção de 8.357,9 mil toneladas em 1.113,5 mil hectares, 424,6 mil toneladas a mais do que foi produzido no ano passado. Segundo principal produtor, Santa Catarina tem a produção estimada em 1.067,2 mil toneladas, com incremento de 4,1%. O Centro-Oeste é a região que sofreu as principais correções. Mato Grosso e Goiás tiveram a as produções projetadas em respectivamente 703,9 mil toneladas (+ 33,3%) e 184,7 mil toneladas (+ 24,3%). No quadro de oferta e demanda, a Conab mantém as projeções de estoque inicial, importação, consumo e exportação, sendo a posição final do estoque aumentada para 2.032,1 mil toneladas em função da nova projeção de safra, segundo análise da Agrotendências Consultoria em Agronegócios.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica nesta quinta-feira o preço médio de R$ 36,50 para a saca de 50 quilos de arroz em casca (58x10) no Rio Grande do Sul. O saco do produto beneficiado (60kg/branco/Tipo 1) é comercializado a R$ 73,00 (sem ICMS), enquanto o canjicão e a quirera, ambos em 60 quilos (FOB) são cotados a R$ 38,00 e R$ 37,00, respectivamente. A tonelada do farelo de arroz (FOB Arroio do Meio – RS) é cotada em R$ 340,00. A expectativa dos analistas consultados por Planeta Arroz é de que os preços se mantenham estáveis até o final de maio, com tendência de valorização em torno de 1% ao longo do mês por conta de um eventual aumento da oferta nesta reta final da safra. Ao mesmo tempo, a expectativa de um El Niño de média a forte intensidade, aumenta os riscos de queda produtiva na próxima safra e, por consequência, nos estoques nacionais, o que já começa a ajudar na pressão sobre os preços no mercado interno.