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24Jul Preços enfraquecem em julho, mas mercado se mantém equilibrado.

Preços enfraquecem em julho, mas mercado se mantém equilibrado.

Nos 22 primeiros dias do mês de julho os preços médios do arroz em casca no Rio Grande do Sul, segundo o indicador ESALQ/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa, acumularam uma queda de 1,62%, alcançando cotação referencial de R$ 35,88. O valor indica ligeira reação ante o dia 16 de julho, na semana passada, quando alcançou R$ 35,77, acumulando 1,92% de retração. Em dólar, graças à situação do câmbio, a saca de arroz em casca de 50 quilos (58x10) chegou a ser cotada a US$ 15,93 na quinta-feira passada (17/7) e fechou nesta terça-feira em US$ 16,23 no estado. 

Segundo apurou PLANETA ARROZ, no mercado livre gaúcho as cotações variam de R$ 34,50 a R$ 36,00, dependendo da praça e do padrão do arroz. Em Santa Catarina as cotações também flutuam entre R$ 34,00 e R$ 35,50, de acordo com a região produtora e a qualidade do grão. No Mato Grosso, com uma colheita acima da média das últimas temporadas, a pressão de oferta e os bons estoques da indústria mantêm preços médios de R$ 32,00 a R$ 33,00 em Sinop e Sorriso.

No Rio Grande do Sul, basicamente o mercado vem andando de lado nesta segunda quinzena, ou seja, mantém-se com preços estáveis. No início do mês houve um acréscimo na pressão de oferta dos agricultores para fazerem frente às compras de insumos da próxima safra e ao pagamento de compromissos de custeio. A indústria, apontando dificuldades de repassar a alta acumulada pelos preços médios da matéria-prima ao longo do ano, manteve uma demanda lenta e gradual. Nesta segunda quinzena de julho, porém, PLANETA ARROZ precebe que os produtores recuaram na oferta do grão e o mercado encontrou um patamar de equilíbrio e entrou em compasso de espera.

Aos agricultores, preocupa principalmente a ocorrência do fenômeno climático El Niño. Devemos considerar que algumas regiões gaúchas já começam a semear o arroz em meados de setembro. Os mananciais estão em boas condições de suportar a irrigação, mas a preocupação é o excesso hídrico que pode não só afetar ao arroz, mas também a soja, que tornou-se um importante componente no portfólio do agricultor, colaborando sobremaneira na postergação da hora de comercializar o arroz para um período em que está mais valorizado e não ao final da colheita.

EXPORTAÇÕES

As vendas externas do arroz brasileiro seguem sendo um dos alicerces de cotações internas acima do custo de produção do cereal. Na semana que passou, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), divulgou o relatório da balança comercial brasileira em junho. Mais uma vez, o Brasil foi superavitário na balança comercial do arroz exportando 120,09 mil toneladas e importando 97,47 mil, com saldo no mês superior a 22 mil t. Nos quatro primeiros meses do ano comercial (março/14 a fevereiro/15) o Brasil alcançou 503,3 mil toneladas comercializadas, cerca de 40% a mais do que no ano passado. Mantida esta média, o Brasil poderá alcançar a exportação de 1,5 milhão de toneladas até fevereiro de 2015. 

Em contrapartida, o País está importando mais. As 97,5 mil toneladas (base casca) que entraram em junho de 2014, formam o maior volume importado em apenas um mês no prazo de um ano, desde julho de 2013, segundo análise do consultor Tiago Sarmento Barata, da Agrotendências Consultoria em Agronegócios. Se mantiver a média importada (próxima de 80 mil toneladas por mês), o Brasil deverá alcançar 950 mil t de compras no exterior, levemente abaixo da expectativa da Conab, que é de 1 milhão de toneladas. Em junho entraram cerca de 30 mil toneladas de arroz beneficiado da Tailândia no Nordeste brasileiro. Com isso, desde o início do ano o país asiático já ingressou com quase 60 mil toneladas no mercado nacional e só é superado pelo Paraguai entre os fornecedores do País ao longo desta temporada.

MUNDO

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) divulgou relatório em julho considerando que o mundo terá um déficit entre o consumo e a produção de arroz em 2014. Mesmo com o crescimento produtivo de 0,4%, espera-se que o consumo seja mais de 3 milhões de toneladas maior do que a safra mundial, exigindo o uso dos estoques mundiais, especialmente da Ásia, que cresceram 1,5% no ano passado.

PLANETA ARROZ também apurou que o USDA também alterou para mais a previsão de safra estadunidense, que começa no próximo mês. A previsão é de uma colheita de 7,3 milhões de toneladas do grão em casca, com crescimento de 18% sobre a temporada passada. A boa notícia é o consumo doméstico crescente nos EUA, em 8,4% para 2014/15. Ainda assim, os norte-americanos esperam exportar 13,6% mais e ter um estoque 14,4% maior.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre (RS), indica preços médios de R$ 35,50 para o arroz em casca (50kg/58x10) no Rio Grande do Sul e R$ 70,00 para o saco de 60 quilos, beneficiado (sem ICMS). O canjicão e a quirera, em sacos de 60 quilos (FOB) seguem cotados a R$ 38,00 e R$ 37,00, em média, respectivamente. O farelo de arroz se mantém em R$ 360,00 a tonelada (FOB/Arroio do Meio – RS). Exceto o arroz em casca, os demais mantiveram a estabilidade de preços da última semana.

Fonte: Planeta Arroz